
A Caranha é um dos mais belos peixes que esta lagoa já produziu.
Seu tamanho exuberante, sua aparência dourada, sua carne tenra e nobre são inigualáveis. Reza a história do pescador: “Na lua cheia de janeiro a março o peixe vem brincar”. É nesta época sazonal que a caranha atinge sua fertilidade. O cio da vida eclode em seu corpo. Elas deixam suas tocas escuras e misteriosas vindo à superfície saudar a vida.
Na dança da fertilidade, seus corpos se lançam e entrelaçam. O macho lança a semente da vida. A fêmea, protetora da vida, guarda em seu ventre. Aos olhos leigos, esta festa do cio mais parece crianças a brincar. O vigia atento, avisado pela lua, espreita a chegada da dança da fertilidade. Com olhos de águia, vê as caranhas emergindo em seu solto brincar. Acena aos companheiros “Caraaaaaaanha!” é o grito que sai de suas entranhas. Repentinamente, braços envolvem o grande bote. Remos velozes e apressados cortam as águas da calma lagoa. Pescadores bradam de alegria: “A rede seja lançada a bombordo”. A pesca será abundante. Os dilemas da sobrevivência e da preservação da vida se
entrecruzam.Hoje, as caranhas vivem em paz na lagoa. Sua pele já não está a caça. O vigia já não mais vigia. Sua lembrança está na memória e na retina de todos os filhos desta terra.



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